Pois muito me congratulo pela reabertura do pasquim dos rouxinóis!
Aliás visto que esta obra editorial está prestes a celebrar 2 anos (é verdade, e só este facto merece outro churrasco na casa do zé), sinto-me na obrigação de iluminar as vossas mentes com a minha sagacidade e sabedoria para que esta publicação com potencial não perpetue a ignomínia da lingua portuguesa.
Ora, para a celebração deste 2º aniversário, introspeccionei para comigo, que verborreia iria esplanar neste espaço de cultura.
Qual, de facto, seria o melhor assunto?
Pois bem, nada mais apropriado do que a exploração das nossas origens, a descoberta do nosso passado, para quiçá compreender qual será o nosso legado para o futuro.
Falarei portanto do nosso antepassado comum: O rouxinol.
Aqui vai a informação deste maravilhoso animal do qual brotamos, qual fénix renascida:
Nome comum: Rouxinol
Nome científico: Luscinia megarhynchos
Fabuloso cantor mais frequentemente ouvido do que observado. O canto é uma peça virtuosa de trinados fluidos terminados em crescendo; normalmente escutado bastante depois do escurecer mas também com frequência durante o dia. Quase sempre escondido nos recônditos da vegetação; os machos empoleiram-se a descoberto para cantar pouco após a sua chegada. A cauda avermelhada e conspicuamente arredondada. Os adultos são castanho-avermelhados na parte superior que se funde com tons creme na parte inferior.
O juvenil está marcado com crescentes tipo escama, como o juvenil do pisco-de-peito-ruivo. A cauda ruiva mantém característica.
Distribuição: Visitante estival da maior parte da Europa, com excepção do extremo norte.
Aspecto geral: tipo Cartaxo
Comprimento: 16-17 cm
Habitat: charnecas, bosques
Comportamento: esvoaça, levanta voo e pousa na vegetação
Ninho: em forma de taça bem escondida junto ao solo
Ovos: 4-5, com malhas avermelhadas
Alimentação: insectos
População: desconhecida.Contemplai a maravilha darwiniana da evolução, e vêde como das nossas primitivas origens, nos demarcamos como o ser vivo perfeito e mais bem adaptado.
Vejamos:
Nome comum: Rouxinol do Ritz
Nome científico: Luscinia megacopus (variantes desta espécie incluem o megacanecus, megafrangus ou um cruzamento dos 2 anteriores)
Fabuloso cantor mais frequentemente bebido do que ressacado. O canto é uma peça virtuosa proveniente dos fluídos ingeridos e termina com um arroto. Normalmente cantam muito de noite, mas no dia a seguir é mais gemer (efeito secundário do efeito dos flúidos)...
Já não há juvenis, mas ainda são belos exemplares de pujança da sua raça.
Distribuição: Póvoa de Varzim, mas cada vez mais internacionalizados.
Aspecto geral: Calça de ganga, T-shirt fodida e sapatilha velha (à excepção do pingas com as suas calças fashion orange, e do johnny tremoço com as suas sabrinas)
Comprimento: 16-17 cm (esta medida depende do exemplar e também, é claro, do contexto...)
Habitat: Tascos, Cafés, Bares, Café Ritz (uma classe à parte), ou quaisquer outras nascentes de onde jorre o líquido loiro, ou ruivo (com isto não quero dizer urina e sangue, mas sim cerveja, ou eventualmente martini, ou até em casos extremos em que não haja mais nada disponível, cerveja)
Comportamento: Come, bebe, bebe, bebe, vai a casa de banho, bebe, bebe, vai a casa de banho, vai a casa de banho, vira o barco, cambaleia até ao balcão, bebe, vai para casa, vira o barco, vai para a cama, vai para a casa de banho, vira o barco, dorme, acorda de manhã, vai para a cama, dorme mais.
Ninho: Dependendo do exemplar, já partilha com a patroa, está em vias disso, ou então não tem e vai para Espanha comer catalãs.
Ovos: 2, grandes, rugosos e peludos
Alimentação: Muito variada: entre o bacalhau à campino, as francesinhas do Kiko e as americanas do ritz, marcha tudo!
Penso que com isto aprendemos muito mais sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Deveras a vida é um milagre celebrado a cada dia que passa, a cada copo cheio que acaba, a cada coxa de frango que se come à mão.
Deixo-vos com este pensamento.
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